Brasileiro que filma ondas gigantes é eleito o cinegrafista do ano

  • 01/10/2026
(Foto: Reprodução)
Brasileiro que filma ondas gigantes de dentro d’água é eleito o cinegrafista do ano por re O cinegrafista brasileiro Rennan Chaves viveu três meses na Praia do Norte, em Nazaré (POR), acompanhando as previsões e encarando os dias mais extremos para registrar ondas que podem nunca mais se repetir. O brasileiro foi finalista em quatro produções do Big Wave Challenge, o 'Oscar das Ondas Gigantes', e levou o prêmio de Videographer of the Year (Videógrafo do Ano). 🌊🏄🏽‍♂️ A premiação, produzida por Bill Sharp, nome historicamente ligado ao universo das ondas gigantes, é considerada uma das principais e mais prestigiadas cerimônias de premiação do surfe de ondas grandes no mundo. O reconhecimento dedicado a videomakers não é uma categoria fixa da competição e pode ser concedido pelo comitê quando um trabalho audiovisual se destaca. Para Chaves, a conquista veio depois de um dos períodos mais intensos de sua carreira, em que também produziu nove episódios de uma websérie sobre o surfe em Nazaré. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Além das quatro imagens finalistas, o brasileiro foi responsável pelo registro da maior onda feminina da temporada, surfada por Michelle des Bouillons. O trabalho chamou atenção justamente por fugir dos enquadramentos mais comuns de Nazaré e mostrou uma característica que Chaves considera fundamental na profissão: saber onde estar antes de a onda chegar. "Eu amo estar dentro d’água, especialmente nas ondas gigantes, e poder levar esse ângulo e essa vivência para as pessoas que talvez nunca vão pisar na água gelada de Nazaré. Ficar de cara com um fenômeno da natureza quebrando na sua frente, sair vivo, poder rir e apreciar aquilo é o que me move", afirmou Chaves. Rennan Chaves recebendo o prêmio de Videographer of the Year (Videógrafo do Ano). Divulgação/Richard Hallman O ângulo que ninguém tinha Na sessão de Michelle, Chaves não pôde entrar na água porque o acesso estava restrito aos profissionais contratados para a competição da Liga Mundial de Surfe (WSL). Nazaré estava lotada, com mais de cem fotógrafos e cinegrafistas espalhados pelo local, mas o brasileiro decidiu se afastar e apostar em um ângulo frontal, mais baixo e distante. A escolha tinha um risco: se a onda anterior da série cobrisse o surfista, o registro seria perdido. Ainda assim, Chaves preferiu procurar uma imagem diferente das tomadas laterais e de cima, que, segundo ele, podem diminuir a percepção do tamanho da onda. “Vai ter um milhão de pessoas filmando essa onda de lateral e de cima, e eu quero uma imagem especial”, contou. A estratégia funcionou com a onda de Michelle, que veio diretamente na direção da câmera sem que outra parede de água escondesse a surfista. Chaves também destacou a atuação dela, que desceu a onda sem hesitar, mas considerou que o enquadramento foi decisivo para mostrar a dimensão da cena. Estre as quatro finalistas, está a onda surfada por Michelle des Bouillons, considerada a maior onda feminina da temporada Rennan Chaves Operação sem segunda chance A maior parte do trabalho de Chaves acontece em uma posição ainda mais próxima da onda e, por isso, ele se especializou em filmar de dentro d’água, conduzido por um jet ski e usando uma câmera com caixa estanque. Para garantir o registro, o cinegrafista precisa estar exatamente no ponto onde a onda vai quebrar. 📷 Se ficar antes da arrebentação, a onda não aparece como deveria. Se ficar depois, sobra apenas a espuma. O lugar certo é justamente a região mais perigosa. “Eu sempre estou preparado e atento a tudo; para onde vier, eu vou apontar a minha câmera. Mas eu sei o que eu quero e sei o que estou esperando”, afirmou o cinegrafista. Rennan trabalha conduzido por um jet ski e usando uma câmera protegida por uma caixa estanque Stefan Mathers A operação é feita em parceria com Dino do Carmo, da NazareJet, responsável por conduzir o jet ski, posicionar Chaves e retirá-lo da área de risco. Um spotter (membro de apoio da equipe) acompanha as ondas do alto e avisa a dupla sobre a aproximação dos maiores movimentos do mar. “Eu não tenho o luxo de refazer uma imagem. Aquela pode ter sido a maior onda do mundo ou a maior onda da vida daquele surfista. Eu nunca posso falar para ele: ‘Pega outra onda’. Eu não tenho margem de erro. Preciso estar sempre pronto para filmar todas as ondas que vierem a partir do momento em que entro na água”, disse. Dentro do mar, a relação com o surfista também muda, já que Chaves consegue acompanhar a descida de perto, conversar e comemorar com o atleta depois da onda. Isso tudo enquanto controla a câmera em movimento e lida com frio, vento e correnteza. “Eu gosto muito de participar, e acho que quanto mais visceral a coisa for, mais faz sentido para mim. Quanto mais envolvimento, quanto mais eu me conecto com o todo ali, mais sentido faz filmar e transmitir aquilo de uma forma mais visceral para o mundo”, afirmou. Rennan e Dino Carmo Heidi Hansen Do Guarujá para o livro dos recordes A relação de Chaves com a água começou muito antes de Nazaré, já na infância, em Santos e em Guarujá, onde cresceu acompanhando o pai e o avô em pescarias e ouvindo histórias ligadas ao mar. Na adolescência, começou a surfar e, mais tarde, passou a fotografar os próprios amigos dentro d’água. “A minha família, por parte de pai, sempre teve uma ligação muito forte com o mar. Não com o surfe, mas com o mar. Desde criança, a minha brincadeira nunca foi muito de jogar bola. Minha brincadeira era ir pescar com o meu pai”, lembrou. A fotografia, que começou como um hobby, virou profissão, e, depois, deu lugar ao vídeo, levando Chaves a deixar o surfe por um período para trabalhar em produções de moda, videoclipes e outros projetos em São Paulo. Quando retornou ao ambiente das ondas, trouxe consigo uma experiência diferente de produção e linguagem audiovisual. Rennan no mar de Nazaré, em Portugal Joli O encontro com Rodrigo Koxa e Vitor Faria abriu o caminho para as ondas gigantes e para Nazaré. Foi nesse ambiente que Chaves passou a desenvolver técnicas próprias para filmar de dentro d’água e construiu trabalhos como a websérie GoBigger Team, produzida ao longo da temporada com nove episódios. Mesmo com a carreira internacional consolidada, Guarujá continua sendo parte da preparação e da inspiração de Chaves, que mantém contato com o mar na cidade onde treina, nada, surfa e busca referências para novos trabalhos. “Eu posso estar dentro d’água nas maiores ondas do mundo, mas volto com saudade de entrar na água no Guarujá, de tomar um banho e pegar jacaré na Praia do Tombo”, afirmou. O reconhecimento conquistado em Portugal também volta, de certa forma, para o lugar onde a relação com o mar começou. Chaves disse que a natureza, a cultura e as pessoas da Baixada Santista continuam alimentando seu trabalho e vê o prêmio como uma forma de representar essa origem. “Fico muito feliz em poder entregar um pouco de tudo isso. De toda essa natureza, de toda essa comunidade que me deu tanto, conseguir entregar um pouco com esse prêmio. Fazer essa galera sentir orgulho de pertencer a este lugar, um lugar que é tão relevante no meio do surfe e agora também no surfe de ondas gigantes”, completou. Rennan com a equipe GoBigger Team Alberto Porcelli VÍDEOS: mais vistos do g1 Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/10/01/brasileiro-que-filma-ondas-gigantes-de-dentro-dagua-e-eleito-o-cinegrafista-do-ano-por-registros-em-nazare.ghtml


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